Os Olhos São Enganados por Bolas "Com Efeito"

Não culpe o goleiro que não consegue defender uma bola "com efeito". O sistema visual humano não parece ser equipado para seguir as curvas descritas por uma bola que gira rapidamente sobre o próprio eixo, diz Cathy Craig, uma psicóloga da Queen's University em Belfast.
Craig tirou a inspiração para a sua pesquisa de um gol que o jogador Roberto Carlos marcou para o Brasil em 1997. "Todos pensavam que a bola passaria ao largo, mas no último minuto, ela fez uma curva".
Ela decidiu testar se jogadores experientes seriam capazes de seguir as trajetórias de bolas que giravam sobre o próprio eixo (bolas "com efeito"). Ela pediu aos jogadores que tentassem prever se as bolas terminariam no gol em ambientes de realidade virtual que simulavam bolas girando a 600 revoluções por minuto. Até mesmo os profissionais eram incapazes de prever como esse "efeito' afetaria a trajetória da bola.
A rotação da bola produz algo conhecido como uma força de Magnus, que acelera a bola numa direção que nós simplesmente não conseguimos processar, diz Craig. Nós podemos antecipar o efeito da gravidade sobre objetos em movimento, pois isso foi importante durante a evolução. "Mas bolas "com efeito" não ocorrem naturalmente. Por que a natureza se incomodaria em produzir um sistema visual que fosse adaptado a elas?" diz Craig.
Fonte: Edição 2541 da revista New Scientist, 3 de março de 2006, página 19.