Idéias de Miguel Couto Sobre a Educação: Mais Atuais do que Nunca!

Transcrevo, abaixo, um texto do ilustre médico brasileiro Miguel Couto (1864-1934). Nele, esse ícone da medicina brasileira discorre sobre a importância da educação para o sucesso de uma nação:
A IGNORÂNCIA REPRESENTA ATRASO, POBREZA E INFERIORIDADE DE UMA NAÇÃO
Estão todos os historiadores acordes em atribuir o êxito mundial do império asiático à educação do povo. Gustavo Le Bon conta no seu admirável Le désequilibre du monde: "Quando no dia 27 de Maio de 1905 a grande esquadra do império russo foi completamente destruída em algumas horas, em Tsoushima, pelos encouraçados japoneses, o estupor foi universal; com efeito, subitamente se tornava evidente que, contra todas as idéias circulantes, o ínfimo Japão, conhecido apenas há meio século, tornara-se uma grande potência. Aliás, em todas as batalhas anteriores, os russos, conquanto sempre mais numerosos, haviam sido invariavelmente batidos. Perguntando ao então embaixador japonês em Paris, o Sr. Motono, qual a causa desta superioridade, respondeu-me o eminente homem de Estado: "O desenvolvimento atual da minha Pátria é fruto da educação ministrada ao povo quando um levante o tirou há pouco do feudalismo. Esta educação, inteligentemente escolhida, foi orientada para desenvolver também a qualidade de caráter legado por nossos avós".
O célebre e fértil escritor japonês Kamakami insiste neste conceito no seu livro intitulado "The real japanese question". "Ninguém contesta que os japoneses têm no seu país uma insaciável sede de educação, e que para aonde emigram levam consigo este anseio de conhecimentos". Já o inspetor da imigração na Califórnia Antone Scar observara que "os rendeiros japoneses podem ter a seu serviço trabalhadores brancos e aproveitar-lhes os filhos nos trabalhos, porém, os seus próprios filhos esses enviam religiosamente ao colégio e nada há que prevaleça a este dever". É a mesma observação do publicista Ray Stannard Baker: "Os japoneses em Haway, apaixonados pela educação, mandam os seus filhos para a escola até os verem inteiramente preparados throughly prepared).
Ora, se com o sucesso feliz que assombrou o mundo o Japão imitou a Alemanha, exemplário das virtudes da cultura em todos os departamentos do saber humano, por que não seguirmos nós o modelo do grande Império do Sol Levante? (...)
A sentença de Maurus precisa ser ampliada - não são só os livros que têm os seus fados, são também os povos. Entretanto, como se salvou o Japão quando lhe cobiçaram o território? Pela educação do povo. Como nos salvaremos nós., Com a cultura do povo, porque da cultura nasce a ambição, da ambição a atividade, da atividade a riqueza, da riqueza multiplicada a fortuna coletiva, e desta a confiança, a força, a durabilidade, a coesão.
Há um grupo social que não chega a formar uma raça, nem uma nacionalidade, e só em torno da fé religa os seus membros, esparsos pelo universo. Escorraçados de toda parte, como o Ashaverus da lenda, perseguido e martirizado, ele não só resiste há dezenas de milhares de anos ao aniquilamento, como impõe aos seus perseguidores a submissão de lhe obsecrar a esmola no momento amargo das aperturas. Por que? Porque o judaísmo exige o estudo como um preceito religiosos e nenhum judeu iletrado se conhece. Se cotejarmos as nações ignorantes e as cultas em igualdade ou proporção de habitantes, chegamos fatalmente ao seguinte postulado: O progresso de um país está na razão direta da cultura do povo.(...)
Não há, pois, mais rendoso emprego dos dinheiros públicos do que o destinado à cultura, assim como a ignorância representa o primeiro e maior fator do atraso, da pobreza e da inferioridade de qualquer nação.
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