Plágio ou "Memória Fotográfica"?

Kaavya Viswanathan, uma aluna da Universidade de Harvard, de origem indiana, publicou um romance intitulado How Opal Mehta Got Kissed, Got Wild, and Got a Life . Acontece que o livro tem 29 trechos praticamente idênticos a outros, de autoria de outra romancista, Megan McCafferty.
Kaavya está sendo acusada de plágio, mas insiste em que a cópia foi totalmente inconsciente e involuntária; ela argumenta que possui uma "memória fotográfica" e nunca toma notas em sala de aula, por exemplo. Após ler diversos livros de McCafferty, os trechos teriam ficado armazenados no seu inconsciente, sendo depois reproduzidos, literal e...involuntariamente!
Este é um bom momento para uma discussão do assunto "memória fotográfica". Uma revisão do tema foi feita pelo sítio slate.com.
De acordo com a ciência, parece que ninguém tem a tal "memória fotográfica"-exceto, talvez, UMA pessoa: em 1970, um especialista em ciência da visão da Universidade de Harvard, Charles Stromeyer III, publicou um trabalho na revista Nature sobre uma estudante daquela universidade, chamada Elizabeth, que podia executar um feito espantoso. Stromeyer apresentara, ao olho direito de Elizabeth, um padrão de 10.000 pontos aleatórios; um dia depois, ele mostrara ao olho esquerdo da aluna um outro padrão de pontos aleatórios. Ela fora capaz de fundir mentalmente as duas imagens, formando um anaglifo de pontos aleatórios, e identificara uma imagem tridimensional flutuando acima da superfície do papel!
Elizabeth parecia ser a primeira prova irrefutável de que a memória fotográfica seria possível; mas então, num lance reminiscente de novela de televisão, ela se casou com o pesquisador e nunca mais voltou a ser testada...
Em 1979, outro pesquisador, John Merritt, cético dos resultados de Stromeyer, tentou replicá-los em muitos outros voluntários, recrutados dentre 1 milhão de pessoas que fizeram um pré-teste publicado em jornais; nenhum dos candidatos selecionados conseguiu repetir o feito de Elizabeth.
Leia mais sobre memória fotográfica no sítio slate.com