Comportamento Agressivo e Criminoso: Geneticamente Determinado ?

Dois estudos recentes apontam para uma possível correlação entre a genética e a tendência de um indivíduo a apresentar comportamento agressivo ou mesmo criminoso. Esses trabalhos mostram que um gene que codifica uma enzima, a monoamina-oxidase A (MAO-A), poderia ser um fator na determinação da tendência ao comportamento agressivo. Essa enzima degrada substâncias neurotransmissoras como a serotonina, noradrenalina e dopamina, após um episódio estressante; assim, ela impede que esses neurotransmissores continuem agindo no sistema nervoso depois de resolvida a situação geradora do estresse.
No primeiro estudo, publicado na revista Science, Caspi e colaboradores demonstraram que homens com baixa atividade da MAO-A tinham maior probabilidade de apresentar comportamento anti-social em resposta a maus-tratos sofridos na infância.
Agora, Meyer-Lindenberg e colaboradores publicaram, nos Proceedings of the National Academy of Sciences desta semana, um estudo de neuro-imagem (ressonância magnética funcional) realizado com 142 homens saudáveis, sem histórico de doença mental ou abuso de álcool ou drogas. Esse estudo revelou que, nos indivíduos com baixos níveis de MAO-A, áreas cerebrais implicadas no controle das emoções e impulsividade, como o córtex do giro do cíngulo anterior, eram 8 % menores do que nos homens com níveis mais elevados da enzima. Além disso, quando esses voluntários observavam figuras de faces com expressões de raiva ou medo, havia maior ativação de uma área do cérebro ligada à agressividade, a amígdala.
Esses estudos fornecem mais uma peça do quebra-cabeças que é a variabilidade individual da chamada inteligência emocional, tema do célebre livro do mesmo nome, de Daniel Goleman. Segundo Goleman, tão importante quanto o Q.I., relativo aos aspectos puramente racionais da mente, seria a capacidade de controlarmos emoções potencialmente destrutivas. Essa capacidade, aliada a um Q.I. elevado, poderia significar o diferencial para uma carreira bem-sucedida de um profissional de alto nível; e pelo menos parte dessa qualidade tão desejável parece estar, afinal, ligada à expressão gênica de uma simples enzima: a MAO-A! Acho que ainda vamos ouvir falar muito dela...